Wednesday, May 30, 2007

MASSAGENS

Perde-se no tempo a origem da massagem. Acreditamos que desde sempre, existiu quem massaja-se e quem fosse massajado.
É algo que está presente nas nossas vidas, no nosso dia a dia e que de uma forma geral, todos nós apreciamos.
Sejam desportistas ou casais de namorados, sejam velhos, novos ou mesmo bebés, todos apreciam uma boa massagem.
A massagem pode ser relaxante, minorando ou mesmo fazendo desaparecer a tensão acumulada após um dia de trabalho, ou antes de uma competição onde “os nervos”, estejam “à flor da pele”.
A massagem pode ser igualmente revigorante e tonificante, estimulando músculos e tendões, preparando o “corpo” para o esforço.
Estes dois tipos de massagem (relaxante e revigorante) podem ser administrados por um massagista ou fazendo uma auto-massagem. Quando estamos com uma dor de cabeça, e com os dedos médio e indicador “massajamos” a zona temporal, estamos a auto-massajarmos.
A massagem é a mais pessoal das terapias. Implica uma estreita ligação entre o massagista e o massajado, visto haver um permanente contacto físico entre ambos. Talvez por isso, as massagens são muitas vezes vistas como práticas de índole sexual, onde por vezes o pudor, o desconhecimento e a desconfiança, impedem a boa prática de uma terapia, onde apenas os conhecimentos do massagista, aliado a “umas boas mãos” (saber de experiências feito), contam. A massagem, aplica óleos, gorduras e produtos sabonáceos, não recorrendo (na maioria dos casos) a fármacos. Contam mais vezes as “boas mãos”, do que quaisquer bálsamos ou pomadas anti-inflamatórias.

Será talvez esta uma das razões pela qual, já os chineses (cerca de 3000 AC) e os egípcios a praticavam.
Igualmente, os filósofos e os médicos gregos, já prescreviam esta terapêutica aos seus pacientes.

Objectivos da massagem

Na massagem, um dos objectivos é o revigorar ou relaxar, não só o corpo como também a mente.
A massagem revigorante, promove a renovação celular e ajuda a eliminar toxinas. Por sua vez, a massagem relaxante visa “amolecer” os músculos e articulações tensas, dando ao massajado uma completa sensação de bem-estar.
O nosso organismo, possui terminações nervosas ao longo de todo o corpo. Estas são estimuladas/relaxadas com a massagem. A massagem colabora também no aumento da circulação sanguínea, dando á pele, elasticidade e rigidez, retardando assim o aparecimento de rugas.
Nos músculos, com a massagem os nutrientes fundamentais ao sangue, circulam com eficácia melhorada. As luxações, entorses e cãibras, têm uma recuperação mais célere, se houver o recurso às técnicas de massagem.
No que concerne ao desporto, a massagem deve ser revigorante, antes da competição, treino ou exercício e relaxante após este, “acalmando” os músculos doridos.
Como é sabido da física, o calor dilata os corpos. A massagem, pelas suas caracteristicas de fricção e ao “obrigar” o movimento de articulações e músculos, dilata os vasos sanguíneos. Assim o fluxo sanguíneo é aumentado, fazendo com que a circulação aumente o fluxo de linfa e de oxigénio, reduzindo assim o risco de infecções e de doenças.
A própria digestão é beneficiada. São melhorados os processos de assimilação e de eliminação, minorando problemas com a obstipação e flautuência. Uma massagem regular, é potenciadora de um melhorar da regulação digestiva.

Sunday, May 27, 2007

Carlos Lopes


(A. F. Viseu)

Presto a minha homenagem a um homem competentíssimo, acarinhado por todos e amigo. Aliás um grande amigo.
Conheci o Carlos Lopes há vários anos. Recordo-me dele desde que estou ligado ao futebol. Anos mais tarde quando aceitei o convite para colaborar com o Clube de Futebol “Os Repesenses” foi uma figura habitual quer nos jogos, quer nas instalações do clube que ele tanto ama.
No decorrer do 2º ano na turma Repesense, foi-me endereçado o convite para colaborar com a Associação de Futebol de Viseu. Aceitei de bom grado, já que tinha esse como um dos meus objectivos na minha carreira enquanto massagista. E, foi aí que tive o raro privilégio de conhecer o verdadeiro Carlos Lopes. Empenhado, empreendedor e organizado, tudo fazia (e faz) para que nada falte quer aos atletas, quer aos técnicos e dirigentes.
O que mais me surpreendeu nos primeiros tempos era ver a sua constante presença nos treinos, sendo o 1º a chegar e o último a sair e a sentir (e lamentar) a sua ausência nos torneios. Fazendo uso da frontalidade que penso ter, questionei directamente o Presidente da Associação de Futebol de Viseu que me informou que tal situação iria mudar muito em breve. E felizmente mudou. O Carlos Lopes começou a acompanhar-nos aos torneios, onde conseguiu expandir a sua imagem e amizade perante todas as outras Associações de Futebol e no seio da própria Federação Portuguesa de Futebol. Logo no primeiro ano no Torneio Lopes da Silva, granjeou entre os dinossauros da FPF o respeito e a admiração.
Ao longo dos quatro anos em que colaborei com a AF Viseu, nos torneios onde estive com o Carlos, partilhamos quase sempre o mesmo quarto de hotel, residencial ou mesmo nos “bangalows” da Pousada de Oeiras. Foi, sem nenhuma dúvida, a pessoa com quem mais empatia houve (a par de José Carramanho que irá também ser alvo de uma homenagem neste blog) de entre todas aquelas com quem lidei no futebol.
Recordo com saudade algumas das suas frases típicas. Quando chegavam aos treinos dirigentes de clubes, logo se ouvia a voz do Carlos a dizer: “Chegou o Presidente da República de Cinfães, de Lamego, de Castro Daire, etc”. Outra das suas frases mais marcantes era quando se procedia à recolha do material e era questionado qual a quantidade das bolas, respondia a preceito: “É uma dúzia de quinze”. Logo havia um atleta que lhe dizia: “Mas uma dúzia é doze”. Então Carlos Lopes ensinava-lhes a sua matemática: “Aqui em Viseu, uma dúzia tem quinze. A semana passada, eram dez, mas hoje são quinze”.
Tínhamos e temos muitas opiniões em comum: Nos torneios a primeira prioridade era para com os atletas. Depois vinham os outros. Apenas a paixão clubista nos separa: Nesse aspecto cada um de nós vibra por uma cor diferente.
Ao Carlos Lopes, resta-me agradecer, todos os ensinamentos que me transmitiu e a amizade que permanece e permanecerá.

Friday, May 25, 2007

CAMADAS JOVENS (De novo e sempre)



Como é possível ambicionar-mos que israelitas e palestinos vivam em paz? Não será utopia sonhar com a pacificação do médio oriente e o final dos conflitos na América Latina?
Digo isto, porque no mundo do futebol, dentro de uma nação una e independente, tantas guerras se instalam e se criam. Será que é só devido ao fanatismo exacerbado ou facciosismo de uma série de adeptos, defendendo as suas cores clubisticas, com maior “paixão” e “fervor”, do que os cavaleiros da idade média defendiam as suas damas? Ou serão daqueles que orbitam em volta do futebol, onde “investem” uns cêntimos e esperam obter um lucro fácil, rápido e sem impostos de milhões?
Muitas vezes, aqueles que produzem o espectáculo (jogadores, treinadores e árbitros) são os que menos usufruem dessas imensas verbas que abundam no nosso futebol.
Ao nível distrital vemos colectividades subsidio-dependentes, que inscrevem camadas jovens, não lhes proporcionando no entanto as mais básicas condições de trabalho, nomeadamente no que concerne à presença de técnicos credenciados (treinadores), preparadores físicos (professores licenciados em educação física) e alguém ligado à àrea da saúde (lá estou eu novamente a falar neste assunto).
Em alguns clubes, aos mais jovens é disponibilizado apenas “um cantinho” do campo para treinos, umas bolas velhas e gastas que os séniores já não querem, pois os subsídios ofertados pela autarquia são uma “gota de água” no imenso oceano que é o pagamento aos amadores que jogam na equipa sénior.
Aos jovens, muitas vezes não é ofertada uma simples sandes e um sumo, no final de cada jogo, enquanto “os amadores seniores” almoçam e/ou jantam por conta do clube.
Aos jovens é muitas vezes “disponibilizado” um ex-atleta ou um director, sem curso de treinador, sem formação nem informação sobre metedologia de treinos, preparação física que, cheio de boas intenções, lá vai treinando e dando as tácticas de jogo. Porém, como sabiamente diz o nosso povo, de boas intenções... porque dar a táctica para o jogo, qualquer um dá. O pior que pode acontecer, é a derrota da equipa. Agora treinar, sem os mínimos conhecimentos de preparação física (aquecimento, resistência, força, alongamentos, etc.), já não é tão fácil.
Em alguns clubes, a verba investida com um só atleta sénior (inscrição, vencimentos, equipamentos, transporte e alimentação) daria para manter em competição uma equipa jovem na distrital de Viseu.
Quase todos os anos, ao consultar-mos os comunicados oficiais da Associação de Futebol de Viseu, deparamo-nos com uma situação que se não fosse triste e surreal seria certamente motivo para o anedotário nacional. Quase todos os anos, deparamo-nos com clubes que inscrevem escalões jovens para depois “desistirem”, submetendo-se à punição pecuniária e disciplinar da Associação de Futebol de Viseu, deixando algumas vezes os miúdos na expectativa de poderem praticar o seu desporto favorito, para em seguida se desiludirem. Após a suspensão decretada associativamente, lá estarão eles na primeira linha para voltarem a repetir a “gracinha”. Até já houve clubes que se inscreveram em todos escalões, para depois competirem em... nenhum. Assim, não é possível.
Já é tempo, das autarquias e os nossos políticos, criarem condições para “fiscalizarem” o uso do dinheiro dos contribuintes atribuído sob a forma de subsídios aos clubes do seu Concelho. Não seria mais correcto, os autarcas responsáveis pelo pelouro do desporto, conjuntamente com a sua equipa de trabalho, atribuírem subsídios diferenciados para aquelas colectividades que “investem” em condições humanas e materiais para os atletas em detrimento de mais ou menos chorudos vencimentos atribuídos a “amadores”?
E ainda há aqueles dirigentes que nunca investiram um cêntimo na formação (sendo esta mantida pelos pais e pelos próprios atletas), vendo apenas os escalões como um mal necessário que, quando um jovem tenta a transferência para outro clube, onde os seus sonhos e ambições possam ter futuro e as condições de trabalho sejam boas (ainda que não as ideais), recusam a simples dispensa do atleta (mesmo que dele não precisem), prescindindo das taxas de compensação ou nos casos de atletas pertencentes a escalões inferiores aos juvenis, recusando mesmo a cedência, cortando assim “as pernas” aos atletas.
Esta taxa de compensação, visa compensar o clube do investimento feito no atleta.
Mas nesses clubes, que investimentos foram efectuados com o atleta? E será que a verba em causa irá ser usada para investir nas camadas jovens ou, para pagar mais um salário aos séniores “amadores”?
Depois venham-me falar em formação. Felizmente existem excepções à regra. Para esses, os meus parabéns.

Wednesday, May 23, 2007

CRIOTERAPIA

Crioterapia s. f. (fr. cryothérapie; ing. cryotherapy). Emprego terapêutico das baixas temperaturas, sob a forma de duches ou de banhos frios, de aplicações locais de gelo, de neve carbónica ou de cloreto de etilo.

Todos nós já vimos em jogos de futebol a aplicação de cloreto de etilo, nas regiões lesionadas. O seu eficaz efeito, faz com que muitas vezes se chame a este tipo de sprays de mágico.
A crioterapia é uma das principais técnicas utilizadas na traumatologia desportiva, sendo também entre todas, a mais económica e a de mais fácil acesso.
Como todas as terapias aplicadas na medicina desportiva, também a crioterapia tem indicações e contra-indicações.
Os efeitos fisiológicos associados ao uso da crioterapia são:
a) Anastesia;
b) Redução da dor (efeito de analgesia);
c) Redução do espasmo muscular;
d) Estimulo do relaxamento;
e) Facilita a mobilização precoce;
f) Melhora a amplitude de movimento;
g) Estimula a rigidez articular;
h) Redução do metabolismo;
i) Redução da inflamação;
j) Redução da circulação;
k) Redução do edema; e,
l) Quebra do ciclo dor-espasmo-dor.

Como contra-indicações podemos apontar entre outras as seguintes situações:
a) Queimaduras;
b) Gangrena;
c) Resfriados, etc.

Técnicas de tratamento

Bolsas frias

Este tipo de bolsas podem ser compradas por um preço bastante baixo e são reutilizáveis. Normalmente são fabricadas com um fel de sílica e existem diversos tamanhos e formas. A temperatura de armazenamento deverá ser de aproximadamente de -5ºC e ser colocada no frigorífico pelo menos duas horas antes. Por uma questão de assepsia deve-se colocar um pano entre a bolsa e a zona lesionada. Este pano não deverá ser muito espesso para que o frio possa passar. Este princípio aplica-se a todas as técnicas onde se utilize um pano.

Compressas frias

Geralmente usadas em casa, quando ocorrem pequenos traumatismos (nomeadamente com crianças), consiste no molhar de uma toalha em água fria ou na colocação de gelo moído dentro de uma toalha.
Este é um método pouco eficaz, devendo ser aplicado durante um período de tempo, não inferior a 5 minutos.

Massagem com gelo

Ao contrário do que muita gente (quase todos os agentes desportivos) afirma, o gelo pode ser aplicado directamente. Directamente sim, fixo não. O gelo directo tem de ser aplicado sobre a forma de massagem. Por norma é extremamente eficaz em zonas como a região tíbio-társica, o joelho e as articulações do membro superior. A massagem deve ser efectuada sempre no sentido da circulação de retorno ou seja em direcção ao coração.

Banho de imersão

Eis uma das técnicas mais eficazes e menos aplicadas no desporto nos nossos dias. Ainda há uns tempos li um texto que falava na tri-atleta (ou super atleta) Vanessa Fernandes que lamentando-se da falta de apoios que existe no desporto (futebol à parte), quando compete no estrangeiro, não se pode dar ao luxo de levar um massagista. Então, finda a prova (e já com a medalha de ouro ao peito), entra numa banheira de água e gelo para evitar as micro-rupturas tão comuns no triatlo. Eu próprio testei esta técnica (com enorme sacrifício inicial para os atletas, principalmente os brasileiros – e aqui lhes presto a minha homenagem), com excelentes resultados. Ao longo de toda a época não tive uma lesão muscular que não fosse por traumatismo directo ou indirecto.

Monday, May 21, 2007

O DIREITO À INDIGAÇÃO - FINAL

Estou de volta à publicação dos meus artigos neste nosso blog. Estive durante duas semanas ausente, naquilo que chamei um periodo de luto (ou periodo de nojo como também se diz). O que morreu foi a minha ingenuidade. Calou bem fundo no meu coração as dezenas de mensagens que recebi (pessoalmente, por telefone e por mensagens SMS). Algumas das mensagens que recebi neste blog não foram publicadas devido ao teor das mesmas. Compreendo a indignação dos meus amigos mas, não me posso permitir publicar obsenidades. A todos agradeço do fundo do meu coração.
Na próxima época não sei se estarei a colaborar com alguma equipa como massagista. Sondagens já houve mas...
Uma coisa é certa. Enquanto me for possível, manterei activo este blog. Dá-me prazer escrever e ver o feed-back da parte dos meus leitores.

A MINHA HOMENAGEM - 9


Rogério Rebelo

Nome completo: Rogério Carlos Dias Faria Rebelo

Colectividades onde colaboramos: Clube de Futebol "Os Repesenses"

Tive o privilégio de trabalhar com o Rogério Rebelo, no Clube de Futebol “Os Repesenses”, onde me foi dado a conhecer o Homem que existe por detrás do grande jogador que já fora e do treinador que já é.
Foi gratificante em vários sentidos. Ver um dos expoentes máximos daquele clube voltar à casa mãe, para transmitir os seus conhecimentos aos mais jovens e a empatia entre atletas e treinadores é digno de registo e elogio.
Para ele, o melhor jogador (entre aqueles que eram convocados e aqueles que jogavam), não era o que melhor jogava mas sim aquele que mais trabalhava.
Numa determinada equipa, causou estranheza oferecer a titularidade a um jogador, quando no banco estava sentado outro tecnicamente superior.
Quando questionado por um adepto sobre qual o motivo desta opção, respondeu que o primeiro merecia a titularidade pois havia prescindido das férias enquanto o 2º havia falhado toda a penúltima semana de treinos por ter ido acampar com uns amigos.
Quem com ele trabalhou, sabe que nenhum jogador tem a titularidade como certa.
Resultado? Pode não ter ganho campeonatos mas, tornou mais vincada a personalidade dos atletas com quem trabalhou. Aprendendo com os erros do passado, ajudou e ajuda a moldar o Homem que há antes de qualquer atleta.
Esta última época, aceitou de bom grado a comando da equipa B dos Infantis, não se incomodando com o facto da equipa ser a B, a A ou a C, mesmo tendo consciência de que o seu curriculum merecia bem mais.
Obrigado “Mister” Rebelo por me honrares com a tua amizade.

Saturday, May 05, 2007

O DIREITO À INDIGNAÇÃO

“Mais vale a lágrima de uma derrota, que a vergonha de não ter lutado”

Desde o passado dia 16 de Março de 2007, que calo em meu peito, uma imensa revolta e indignação que o tempo não ajudou a minorar. Neste momento pondero abandonar o massagismo desportivo. Dificilmente tomarei outra decisão que não seja a de me separar de uma amante fogosa que se chama desporto na sua vertente da saúde.

Passado

Tenho uma ainda curta carreira como massagista desportivo (onze anos) mas, estou ligado ao desporto há mais de 3 décadas. Primeiro como atleta de rugby, depois no apoio como socorrista da Cruz Vermelha Portuguesa e desde 1996, como massagista. Nesta última função passei por quatro modalidades: Rugby, Andebol, Futebol e Futsal. Pelas minhas “mãos” passaram nestas últimas décadas, alguns dos melhores jogadores que as terras de Viriato viu nascer.
Colaborei, entre outras, com colectividades como o Rugby Clube de Tondela, a Associação de Trabalhadores da Câmara Municipal de Tondela (secção de andebol), Clube Atlético de Molelos, Clube Cruz Maltina Lobanense. Grupo Desportivo de Canas de Santa Maria, Clube de Futebol “Os Repesenses”, Associação de Futebol de Viseu e finalmente o Viseu Futsal 2001.
Com a maioria das colectividades, colaborei a título gracioso, muitas vezes com o sacrifício da minha vida profissional e pessoal. Nas duas colectividades onde permaneci mais tempo (Clube de Futebol “Os Repesenses” – 6 anos e Associação de Futebol de Viseu – 4 anos) não auferi um só cêntimo.
Nos seis anos em que colaborei com o Repesenses, coleccionei 9 títulos distritais: 2 em juniores, 2 em juvenis, 2 em iniciados, 2 em infantis e um em escolas (onde tive como atleta o meu próprio filho) e ainda colaborei na subida de divisão do G.D. Canas Stª Maria à 2ª Distrital..
Sempre pautei a minha vida por princípios como a verdade, a honestidade, a humildade, a educação e tantos outros que hoje tento incutir nos meus filhos.
Apenas fui “expulso” uma vez do terreno de jogo. No final desse jogo, o árbitro apercebendo-se do erro que havia cometido, nada escreveu no relatório, tendo-me pedido desculpa pelo sucedido que obviamente aceitei, pese embora o facto de já ninguém me desfazer o nó no “estômago”.
Recordo uma outra situação em que, apenas eu, não fui expulso do banco de suplentes. No final desse jogo, contra a vontade do “meu” treinador e delegado ao jogo que continuavam com impropérios dirigidos ao árbitro do encontro, à sua mãe e esposa, dirigi-me ao senhor árbitro felicitando-o pela arbitragem desejando-lhe as maiores felicidades para a sua carreira. Este depois de elogiar a minha postura, ofereceu-me os cartões vermelho e amarelo que havia usado nesse jogo, dizendo-me: “Já que não foi contemplado durante o jogo com nenhum cartão, ofereço-lhos agora”.
Já lá vão uns anos e ainda os guardo como se de uma relíquia se tratasse.
Quem me conhece e comigo trabalhou, sabe que sou por natureza um pacifista e um pacificador.
Outras das características de que não abdico é a da constante aprendizagem: Gasto “fortunas” na aquisição de livros técnicos de saúde, invisto em jornadas técnicas, troco conhecimentos com outros colegas e todos os dias tento investigar um pouco mais. Na clínica da qual sou sócio tento evoluir de modo a tirar rentabilidade dos meios materiais e dos materiais que tenho ao meu dispor.
Todo o meu passado desportivo, fez nascer em mim o sonho de terminar a minha carreira com um curriculum disciplinar imaculado, porém…

Dia 11 de Março de 2007 (O dia da infâmia)

No passado dia 11/03/07, todo o sonho se desfez e caiu por terra. A história conta-se em poucas linhas.
Esta época aceitei o convite que me foi endereçado para ser massagista das equipas seniores e de iniciados do Viseu Futsal 2001 (VF01). Até à citada data, tudo correu dentro da normalidade possível. Penso que cumpri a minha parte, assim como o clube cumpriu comigo.
Nesse fatídico dia, os seniores do VF01, foi disputar um jogo a Stª Maria de Lamas contra a equipa local. Num jogo “quente”, com um público ruidoso e numeroso, criando um ambiente muito favorável à equipa da casa (mas é essa a função dos adeptos). O VF01 foi punido com a expulsão de três dos seus atletas e ainda viu ser expulso o seu treinador adjunto, Sr. Prof. Hugo Espírito Santo, com o se pode facilmente constatar pela análise dos extractos aqui publicados do blog oficial do Viseu Futsal 2001 (http://viseufutsal2001.blogspot.com/) e nos sites oficiais dos clubes oponentes (http://www.viseufutsal2001.com/ e http://www.lamasfutsal.com/). Este facto é reconhecido por todos e, segundo creio pois ainda não tive oportunidade de visionar, está gravado em DVD.
Ao consultar o site da Federação Portuguesa de Futebol (http://www.fpf.pt/), para verificar qual o número de jogos que cada um dos três jogadores tinha de cumprir e saber qual a punição atribuída ao Sr. Prof. Hugo Espírito Santo, deparo com o meu nome (ver documento). Nessa hora, o meu coração quase parou e entrei em pânico. A partir daí, o que se passou, levou-me a pedir a “demissão” do clube, a fazer uma exposição para o conselho de disciplina da FPF, para o conselho de arbitragem da Ass. Futebol do Porto (de onde eram oriundos os árbitros) e directamente aos Sr Isidro Vaz e Sr. Joaquim Medeiros (árbitros do encontro), para tentar corrigir um erro e simultaneamente “limpar” o meu nome. Tudo correu mal. Prevaleceu a mentira e deixei de acreditar na honestidade dos homens no futebol. Perdi a minha ingenuidade.
Recebi e continuo a receber ao longo de todo este tempo, inúmeras mensagens de apoio, dando-me força para que continue a lutar em prol da verdade.
Apelei à razão e ao coração dos senhores árbitros. No início de Abril, recebi um agradável telefonema do Sr. Isidro Vaz (a título informativo, o árbitro que expulsou o Sr. Prof. Hugo, foi o Sr. Joaquim Medeiros), cujo teor da conversa não reproduzo por não ter autorização do meu interlocutor e ainda pelo facto de não poder fazer prova da mesma. Este telefonema fez com que eu ficasse a par de todos os factos que conduziram ao aparecimento do meu nome no comunicado do conselho de disciplina da FPF.
Agradeço ao Sr. Isidro Vaz tudo o que fez. Lamento por aquilo que deixou por fazer: Repor a verdade. Neste caso continuou-se a viver na mentira.
Muitos factos em todo este processo. Quando quem podia e devia defender-me me pede para esquecer, quando outro alguém diz que prefere o professor no banco do que o massagista, eu pergunto: Que mundo é este? É este o futebol/futsal que a nossa FPF preconiza e protagoniza? Se é, então peço desculpa pois estou a mais. Quando alguém, depois de reconhecer publicamente a minha inocência, insinua que poderia ter sido eu na realidade o expulso, que fazer?
Não é este o desporto com que sonhei, nem o que desejo. Prefiro retirar-me do que compactuar com a mentira e a hipocrisia.
Só agora, tomo posição pública sobre este assunto, pois o Campeonato Nacional da 3ª Divisão de Futsal e não queria de forma alguma ser acusado de desestabilizar a equipa. Nunca o faria por respeito aos jogadores e adeptos do VF01.

Finalmente

Por fim restam os agradecimentos, as desculpas e os lamentos.
As desculpas, aos adeptos e aos jogadores do VF01, por não ter terminado a época, tendo-a interrompido de forma tão abrupta. Espero que com este artigo me perdoem e compreendam os meus motivos. Peço ainda desculpa publicamente a todos os jogadores sem excepção, mas em especial a dois. Ao Nuno “Júlio” vindo de uma lesão e intervenção cirúrgica a fazer nesse dia o seu 1º jogo pós-operação e ao Zeca que nesse jogo se lesionou sendo socorrido pelo meu colega da equipa do Oliveirense (a quem humildemente agradeço).
Agradeço profundamente a oportunidade que me foi dada, para conhecer pessoas que o tempo não apagará da minha memória: O Sr. Carlos (carinhosamente tratado pelos jogadores como “Carluska”), os treinadores Mozart Gomes, José Augusto, Prof. Francisco Batista, Prof. Hugo Espírito Santo e Profª Paula Rego; Os atletas Celso, Geyson, Cadima, Hugo, Diego (depois campeão distrital pelo Balsa) Ferreirinha, Ciro, “Risadas”, Gaza, Rui Dias, Paulo Bastos, Emanuel, Filipe, Cristian, Welter, Padilha, Mateus, Nuno “Júlio”, Zeca, Rike e Victor Pais.
Finalmente agradeço a solidariedade do Sr. Presidente do Lamas Futsal A.D.. Grande dignidade de Homem com H grande.
O meu lamento é que em todo este processo fui vítima de um “crime” que não cometi. Fui ainda vítima da negligência (numa fase inicial) e da cobardia (já numa segunda fase) por parte de uns e da má fé, hipocrisia e quiçá premeditação por parte de outros.
Dificilmente voltarei a ser massagista desportivo. Tenho medo de voltar a pensar com mais com o coração do que com a cabeça.
Não é, nem nunca foi, o dinheiro que me move. Durante o tempo em que servi a AFViseu, segundo informações que recolhi, fui o único massagista ao serviço de uma Associação de Futebol, a custo zero. Se é verdade, não me arrependo: Orgulho-me.
Hoje digo um adeus ou, um até breve. Com todo este processo, perdi a minha inocência. Não quero embarcar às cegas. Uma coisa é certa: Jamais recusarei colaboração com os atletas que em mim confiarem e que dos meus préstimos necessitarem.
Por fim, algumas situações caricatas (algumas podem ser vistas nos documentos):
Faço um exposição à FPF. Ao longo do tempo essa exposição passa a ter o carácter de reclamação, sem que eu tenha alterado o teor da mesma;
Sou convidado a reformular o pedido dando-lhe a forma de Recurso de Revisão (pagando 14,40€) ou de Recurso de Anulação (pagando 144,00€). Caso não o fizesse no prazo de 5 dias úteis, a expediente seria arquivado;
Como, perante os factos não fiz nada, o processo foi arquivado
Assim, evitei pagar 14,40 € ou 144,00€. Em 24/04/07, informam-me que o expediente foi arquivado e que tenho de pagar de custas (ver doc.) do incidente o valor de ¼ de U.C.(???);
Em 03/05/2005 sou novamente notificado (ver doc) para pagar o valor das custas que importa a 33,44€. Já fiz seguir via CTT esse valor. Faz-me falta mas…
Quando foi publicado o comunicado da FPF (16/03/07) sou “punido” por deliberações tomadas a 12/03/07 e a 19/03/2007 (ou seja três dias apósos a colocação do comunicado na net.
Com tudo isto, além de ter perdido alguma ingenuidade, mas fique com a certeza de que não voltarei a trabalhar com certas pessoas. Obrigado a todos vós que me apoiaram e apoiarem. O vosso gesto calou bem fundo no meu coração.

João Carlos Matos do Vale
Massagista

Tuesday, May 01, 2007

FRACTURAS (2ª parte)

Conhecidas que são as causas das facturas, há que saber quais os sinais, sintomas e diagnóstico, bem como o primeiro socorro a aplicar nestes casos. Se no caso das fracturas expostas é lógico verificar a existência da referida fractura, no caso das fracturas não expostas, só o conhecimento do socorrista poderá “diagnosticá-la”. Existem fracturas que até as mãos experientes de um socorrista, não conseguem detectar.
Seja como for, há uma regra de ouro a cumprir: Em caso de dúvida, agir sempre como se de uma fractura se tratasse;
Aqui, deve o socorrista/massagista ser perseverante e não permitir a retirada a qualquer custo do atleta do recinto do jogo.
PRIMEIRO O HOMEM, DEPOIS O ATLETA E NO FIM DE TUDO O JOGO E O RESULTADO.

Sinais e sintomas

Embora seja variada a sintomatologia nos episódios de fracturas citam-se a título de exemplo os seguintes:
- Equimose e hematoma (que aumentam com o correr do tempo) na zona da fractura;
- Aumento da dor e hipersensibilidade na zona da fractura, causados pelo movimento do membro ou zona lesionada;- Deformidade e anormal mobilidade do osso fracturado;
- Impotência funcional;
- Crepitação óssea, no caso de existência de esquírolas (pedaços de osso). A sensação que se tem ao fazer a palpação a uma zona onde existam esquírolas é a de mexer num saco cheio de pequenos seixos.

Tratamento:

Imobilizar o membro fracturado, recorrendo ao uso de talas;
No caso de fracturas expostas, deve-se fazer a cobertura da ferida, e NUNCA tentar recolocar o osso no interior do corpo.
No caso de membros fracturados, deve o socorrista imobilizar o mesmo, respeitando a actual forma do membro. Não deve tentar repor o membro “no seu sítio”, nem tentar efectuar a redução da fractura (acto estritamente médico)

A imobilização deve ser efectuada com talas radiotranslucidas (não visíveis ao raio X), uma vez que assim evitam que após a chegada do sinistrado ao hospital não se perca um precioso tempo (já para não falar no desgaste físico e psicológico da vítima) para retirar um tipo de talas e aplicar um outro mais adequado.

Por fim, fica o meu reparo à maioria dos massagistas (e contra mim falo), dos clubes desportivos e das autarquias. Em toda e qualquer banal mala de 1ºs socorros, deve constar um simples conjunto de talas. Estas podem ser feitas com simples ripas de madeira e forradas com uma ligadura de cambric (ligadura de gaze). O investimento num conjunto completo de talas (braço, pé, perna e fémur) é irrisório.
No caso das fracturas mais complexas (não abortadas neste artigo mas alvo de posterior comentário), um simples plano rígido pode fazer a diferença entre o futuro de um ser humano praticante de desporto ou um ser humano confinado a uma cadeira de rodas (ou mesmo uma cama de hospital) e candidato aos Jogos Para-olimpicos.
O dinheiro gasto na prevenção é um investimento seguro no futuro.

Sunday, April 29, 2007

A MINHA HOMENAGEM - 8



Nome completo: Sueli Marlene Santos Sousa Giestas
Data de nascimento: 20-02-1981
Nacionalidade: Portuguesa
Clube Actual: Escola Futebol Clube
Colectividade onde colaboramos: Escola Futebol Clube





S U E L I

G I E S T A S



Condecoro o presidente
e sabem por que razão?
Por ter dado a tanta gente
tanta condecoração!
António Aleixo


A quadra que hoje inicia esta homenagem aplica-se na perfeição à minha homenageada.
A Sueli é uma força da natureza e uma acérrima defensora de tudo o que ama. Creio não cometer nenhuma atrocidade se disser que em primeiro lugar no seu coração está o futebol, a sua equipa (Escola Futebol Clube) e as suas companheiras.
Ao longo destes anos, tem-se desmultiplicado em funções em prol do seu clube. Ajuda na preparação física, angaria fundos (tudo isto à semelhança das restantes jogadores) e até criou um blog para melhor divulgar o seu grande amor: O Futebol: Que me perdoe o seu namorado (meu amigo pessoal e homem cheio de sorte) mas está em segundo lugar na lista de preferências da Sueli.
Durante anos, criou-se um estereotipo de jogadoras de futebol, como sendo muito musculadas, masculinizadas e nada bonitas. Se isso é verdade para um pequeno número de jogadoras (e no Escola não há nenhuma), no caso da Sueli (e não só) a imagem é diametralmente oposta. Já o disse publicamente que se uma revista de modas, investisse nestas mulheres certamente conseguiriam aliar o desporto, a inteligência e uma estonteante beleza. Nesta área a Sueli, seria uma das mais bela representantes. Sei pelo muito que passou no seio da equipa, num passado ainda recente, fruto da inveja e da prepotência de alguém que não foi capaz de atingir o seu patamar.
Finalmente, quero deixar aqui, o meu testemunho do seu querer e vontade de jogar e vencer.
No ano em que colaborei com o Escola Futebol Clube, verificaram-se algumas mudanças de vulto. Saída de jogadoras de referência (Ana Santos e Fani) e entrada de jogadoras novas como a Noémia e a Joana Silva. Nesse ano a Sueli foi uma das “clientes” do improvisado Posto de Primeiros Socorros. Após um jogo onde tem uma queda aparatosa que obriga à sua substituição, a Sueli dá entrada na 2ª feira no Hospital S. Teotónio em Viseu, onde (desconheço o que lhe foi diagnosticado) lhe prescrevem 6 injecções de Profenid (analgésico) e 6 de Relmus (relaxante muscular) tendo-lhe sido dito que iria estar parada no mínimo de 3 semanas.
Quando na 3ª apareceu em minha casa, apoiada pelo sempre presente Nuno, também eu acreditei e repeti a previsão médica.
Ambos nos enganamos. As sua melhorias eram visíveis a cada dia que passava ao ponto de no domingo, se ter equipado (após a última das injecções) e ainda ter dado o contributo à sua equipa assim que foi chamada a fazê-lo, durante toda a 2ª parte do jogo.

Friday, April 27, 2007

AMADORISMO vs SUBSÍDIOS




Os problemas que mais afectam o desporto amador são basicamente dois: A falta de apoio quer por parte dos “carolas” (autêntica espécie em vias de extinção) e obviamente no plano financeiro. O outro problema, por muito absurdo que possa parecer tem haver com os próprios subsídios.
As colectividades, substituem-se ao Estado, no fornecimento de bens e serviços para proporcionar aos nossos jovens a prática desportiva. Porém, como é sabido, essas mesmas colectividades lutam desesperadamente com a falta de verbas para fazer face às despesas inerentes ao fornecimento destes serviços. Aqui, entram o poder local representado nas autarquias (Câmaras Municipais e Juntas de Freguesias) e os mecenas patrocinadores (outra espécie em vias de extinção no desporto amador).
As verbas disponibilizadas pelos municípios para apoio às colectividades que promovem o desporto, faz lembrar aquela história da garrafa meia de água: Para uns, está meia cheia, para outros, meia vazia.
É sabido que quando uma autarquia atribui um subsídio de x euros para a colectividade y, logo uma parte da população diz que esse dinheiro deveria ser empregue no saneamento, no meio ambiente, num parque infantil, etc. Para a colectividade, esse subsídio mal dá muitas vezes para pagar as contas da água e da luz.
Fruto de um verdadeiro amadorismo e de um amor à camisola sem precedentes, os verdadeiros carolas, lá estão dia após dia a trabalhar em prol da sua colectividade, privando-se de uma ida ao cinema, ao teatro, da companhia da família, etc. E, o que dizem os “velhos do Restelo”, alguns até associados dessa mesma colectividade: “Só lá está, porque está a meter dinheiro ao bolso”. Quantas e quantas vezes é precisamente o inverso.
Há, infelizmente no entanto, o reverso da medalha. Dirigentes que assumem cargos apenas para se auto promover: Primeiro o clube local, depois a Junta de Freguesia (onde vai ter outra influência) e depois quem sabe um outro cargo político. Quando atinge os seus objectivos, e quando lhe lembram o seu passado de dirigente desportivo, afirma que apenas o fez em missão de sacrifício. Quantas vezes a sua passagem por estas colectividades, foi feita com uma gestão ruinosa, endividando o clube para o futuro, mas enquanto no seu reinado, tudo era festa e romaria, num autêntico show, digno dos maiores artistas da nossa praça.
Dizia-me há dias um bom amigo (Mister Fernando Lage) que, não compreende como é possível haver tão pouco apoio para as camadas jovens e para o futebol feminino.
Aqui temos de “separar as águas”. A maioria das Câmaras (para não dizer todas) apoiam financeira e materialmente as camadas jovens, porém muitas colectividades fazem canalizar esses subsídios para as camadas seniores pseudo-amadoras. Felizmente há excepções como é o caso do Clube de Futebol “Os Repesenses” (que só tem camadas jovens) e outros clubes onde há autonomia das camadas jovens em relação aos seniores.
Conheço casos em que os jovens ao invés dos seniores, não têm direito a transporte, não têm direito a equipamento para os treinos, não têm equipamento de passeio (leia-se fato de treino e anorak da colectividade), não têm direito à presença do massagista nos seus treinos e jogos, pagam para jogar, não têm direito ao almoço mas, têm direito a uma sandes e um sumo no final dos jogos porque um benemérito pai as oferece. O subsídio da autarquia vai inteiramente para os ordenados dos seniores pseudo-amadores e ainda aquele que provém das quotizações dos jovens.
Um bom exemplo de amadorismo e amor à camisola com resultados visíveis é o futebol feminino, altamente dignificado nas camisolas ouro-celeste do Escola Futebol Clube de Molelinhos. Todo o staff técnico é amador na verdadeira ascensão da palavra. De modo igual o são as jogadoras. Em mais de duas dezenas de jogos efectuados esta época, foram presenteadas com meia dúzia de almoços pagos pelos depauperados cofres da direcção. No passado houve casos de atletas de Castro Daire, sabendo que a hora marcada para a saída era às 11h00m (para um jogo às 15h00m) tiveram de “almoçar” às 09h00m. Já esta época, no seu último jogo em casa contra o Várzeas (brilhantemente vencido por 4-1), as atletas decidiram almoçar em conjunto. Para o efeito, chegaram mais cedo e elas próprias providenciaram o repasto. Pergunto se para o ano não haverá pelo menos quem patrocine uma refeição digna às atletas? Ou serão 100,00€ (20 refeições a cinco euros cada) um avultado investimento na equipa que mais alto e longe leva o nome de Molelinhos, Tondela e Viseu. Recordo que o Escola Futebol Clube, disputa e disputará (uma vez que já conseguiu a manutenção) o campeonato nacional da 1ª divisão e que têm nos seus quadros um vasto naipe de atletas já por várias vezes chamadas aos trabalhos das Selecções Nacionais, e a quem presto a minha vénia de homenagem e respeito: Neide, Chica, Barbara, Catarina Almeida, Catarina Bernardes, Tânia Almeida, Noémia e Ucha, já para não falar daquelas que estão momentaneamente afastadas como são os casos de Cristiana, Joana Pinto, Susana Marques e Ângela. Elas honram e divulgam a nossa querida Beira Alta. A nós, cabe-nos contribuir com o melhor de nós para as apoiar. Pelo menos nestas atletas podemos ver o verdadeiro “amor à camisola”. Por mim tento fazer a minha parte e, se mais não faço…

Wednesday, April 25, 2007

FRACTURAS (1ª parte)






Uma das lesões mais traumáticas que podem acontecer aos atletas são as fracturas.
Estas podem ocorrer em todo o tipo de desportos onde exista uma actividade física mais ou menos intensa. Ocorre igualmente em desportos individuais, como nos colectivos, bem assim como em desportos onde haja ou não contacto entre os oponentes.

Funções dos ossos.

Os ossos desempenham fundamentalmente três funções básicas:
1 – Estrutural: Os ossos sendo uma estrutura rígida, fornecem a sustentação do peso dos tecidos que compõe o corpo humano, permitindo que este adquira a posição erecta;
2 – Ancoragem: Tal como as estacas de madeira colocadas nos campos agrícolas que permitem que os feijoeiros cresçam e subam em direcção à luz solar, os ossos fornecem um local rígido para que nele se fixe todo o conjunto de músculos, tendões e ligamentos;
3 – Protecção: São os ossos que protegem as partes moles mais vulneráveis. Veja-se os exemplos do craneo (protector do cérebro) e da grelha costal (protector dos pulmões e coração.

Embora sejam estruturas rígidas, não deixam de ser estruturas vivas, que vão crescendo durante algum tempo e têm a capacidade de se auto-regenerarem, aquando da recuperação de uma fractura, substituindo a parte morta do osso por uma parte viva.
Sabe-se que os ossos resistem melhor à compressão do que à distenção e/ou torção.

Tipos de ossos

Existem três tipos de ossos:
a) Longos: ex. Fémur, tíbia, perónio, etc…
b) Curtos: Martelo, bigorna, metatarsos, etc…
c) Chatos: Omoplata, bacia, etc…

Origem das fracturas

As fracturas podem ser originadas por diversas formas:
1 – Traumatismo directo: Por exemplo uma pancada forte na perna, ou bater com o peito contra o volante do carro;
2 – Traumatismo indirecto: Pé preso, caindo o corpo e provocando uma fractura;
3 – Fractura de stress – Quando o osso se encontra debilitado devido a por exemplo a descalcificação óssea.

Desengane-se quem pensar que numa fractura óssea a única lesão que acontece é “apenas” essa. Quando ocorre uma fractura são afectadas todas as partes moles que circundam a área, nomeadamente, músculos, tendões, ligamentos, nervos, sistema nervoso e pele. Existe sempre uma hemorragia interna (visível ou não) associada a uma fractura.

Tipos de fractura

Podemos classificar as fracturas quanto à sua visibilidade e quanto à sua aparência.
Quanto à sua visibilidade podem ser expostas (sempre que o osso é visível no exterior) ou não expostas.
Nas fracturas expostas há obviamente a rotura da pele sendo que é enorme o risco de infecção.
Embora o tratamento (primeiro socorro) das fracturas seja tema de um próximo artigo, devo alertar que NUNCA se deve tentar reposicionar o osso para o interior do corpo.

Quanto à sua “aparência” (esta muitas vezes, senão todas, motivadas pela origem da fractura), podemos classificá-la em: Transversa, Oblíqua, Espiral e Cominutiva (ver figura)

Nota: Em caso de suspeita de fractura devemos agir sempre como se de uma fractura se tratasse. É preferível ser acusado de excesso de zelo do que ser negligente.

(Continua dia 02/05/2007)

Sunday, April 22, 2007

A MINHA HOMENAGEM – 7


Forças de segurança

Presto aqui, uma humilde homenagem às forças de segurança que garantem o bem estar físico de atletas, treinadores, dirigentes e árbitros, evitando assim desagradáveis confrontações destes com os heróis que grassam nos estádios portugueses. Fossem os adeptos educados e civilizados, as forças policiais presentes nos recintos desportivos, bem poderiam ser disponibilizadas para outras actividades bem mais importantes. Como a maioria dos meus leitores sabem, fui jogador de rugby durante quase uma década e meia, sendo depois massagista durante um par de anos. Sei que o número de adeptos no rugby é bem mais escasso do que no futebol, mas não há necessidade de policiamento. Vejo com tristeza e preocupação, jogos das camadas mais jovens do futebol a presença de forças policiais, muitas vezes com necessidade de solicitar reforços, por causa de um pequeno grupo de energúmenos que em nada dignificam quer a modalidade, quer o clube de que são adeptos. Tal como as equipas de arbitragem, as forças policiais também não têm adeptos e vêm-se muitas vezes confrontadas com problemas que não desejam mas, que tem que por cobro. Recordo as fortes críticas de que foi alvo um agente da PSP, quando há uns anos em Coimbra durante a finalíssima da supertaça foi alvo das ameaças de um bando de vândalos, sacou a arma e com ela em riste os ameaçou. Na altura, os puritanos e teóricos da nossa sociedade “crucificaram” o referido agente. Mas eu deixo a questão no ar: Quem entre nós, vendo-se ameaçado por dezenas de adeptos em fúria, tendo uma arma à cintura não faria uso dela? Ou será que na mesma situação daquele agente, enfrentaríamos esse bando de selvagens apenas com palavras ou fugiríamos?
É muito fácil falar, quando estamos de fora.

Friday, April 20, 2007

Postos médicos/postos de socorros em recintos desportivos

Qual a realidade no nosso distrito, no que concerne à existência de estruturas de socorro, nos locais onde se praticam modalidades desportivas?
Haverá pessoas, com formação na área de socorrismo nas escolas primárias e secundárias? E nos estabelecimentos de ensino pré-escolar? Estarão os pavilhões desportivos dotados de um Posto Médico ou de um Posto de Socorros?
Nas últimas décadas, após o 25 de Abril, o País viu surgir dezenas de pavilhões desportivos. Alguns deles agregados a estabelecimentos de ensino. Segundo ouço frequentemente as entidades na área do desporto, ainda existe uma lacuna no número destes pavilhões e de outras infraestruturas desportivas.
Equipar um posto de socorros, não fica assim tão caro. Como menos de dois mil euros é possível equipar um posto médico com o mínimo essencial. A manutenção deste espaço não ultrapassa certamente os trezentos euros anuais, em circunstâncias normais.
Mas dotar estes espaços de equipamento de socorro e não dar a formação ao pessoal para trabalhar, é como darem um avião a quem não possua o brevet de pilotagem.
Nos verões, por estas terras de Viriato, vemos em actividade frenética centenas, milhares de jovens em Jogos Desportivos, organizados pelas Autarquias em estreita colaboração com as associações das modalidades. Algumas colectividades, na ânsia desenfreada de ganhar mais uns cêntimos dos subsídios camarários, colocam jovens e mais jovens a praticar, modalidades e mais modalidades. Nestes casos, quantos são as colectividades que tenham uma simples mala de primeiros socorros? E quantas têm pelo menos um elemento, com formação ou mesmo sensibilizado para a prática dos primeiros socorros? Serão certamente, raras e felizes as excepções. Não existe como já frisei, uma verdadeira cultura de segurança.
A maioria de nós, pensa que os acidentes só acontecem aos outros e que não podemos pensar no pior.
Nada de mais errado. Devemos estar sempre preparados para o pior e catastrófico dos cenários. Se o acidente acontecer, e for naturalmente de menor gravidade do que aquele que prevíamos ou temíamos, estaremos melhor preparados do que se acontecesse o inverso.
Recordo com frequência uma “lei” de que faço sistematicamente regra: A Lei de Murphy que diz: “Se alguma coisa puder correr mal... vai correr mal de certeza”. Lembro ainda, que tal como eu O’Tolle, considerava Murphy, um optimista.

Que formação?

Sou de opinião de que todos aqueles que lidam com actividades desportivas nomeadamente praticantes, professores, treinadores, auxiliares de acção educativa (funcionários dos pavilhões desportivos) e os agentes de segurança, deveriam possuir uma formação básica de primeiros socorros.
Em países da Comunidade Europeia é obrigatória a frequência com aproveitamento, de um curso básico de primeiros socorros, para conseguir obter a carta de condução.
Um curso básico de primeiros socorros, poderá ser ministrado com uma carga horária de doze a quinze horas, versando temas como a prevenção, o socorro, levantamento e transporte de vítimas.
Na área da prevenção, minorando ou anulando zonas de risco e educando os praticantes a adoptarem as mesmas medidas de prevenção.
A formação versaria áreas como o primeiro socorro prioritário (asfixia, choque, hemorragias, envenenamentos, traumatismo e a reanimação cárdio-pulmunar). Falar-se-ia igualmente como limpar, desinfectar e cobrir uma ferida, de como imobilizar fracturas e ainda das técnicas de levantamento e transporte de sinistrados.
Não é difícil, é possível e os custos serão certamente inferiores ao do investimento feito em áreas certamente menos úteis, mas quiçá com maior divulgação pelos media.
A realidade é que a maioria dos recintos desportivos, não se encontra dotada destes meios e não se vislumbra sequer o interesse de quem de direito, em dar novo rumo à situação.
Em alguns pavilhões, não há uma simples mala de primeiros socorros, nem sequer um simples penso rápido.
Felizmente existem excepções à regra. Estive em Janeiro passado, no Pavilhão Desportivo de S. Pedro do Sul, onde constatei a existência de um posto médico devidamente equipado e preparado para a prestação dos primeiros socorros. Que diferença, em relação a outros em que o posto médico serve para arrecadação de material(???). Os meus parabéns, ao Município de S. Pedro do Sul e aos seus autarcas (que não tenho o prazer de conhecer).
No que concerne à formação, também existem excepções. Há dias fui convidado, a colaborar na elaboração de uma proposta visando a sensibilização, na área dos primeiros socorros, de elementos que vão participar nos próximos Jogos Desportivos. Ao senhor presidente do Clube Cruz Maltina Lobanense, mentor da ideia, mesmo desconhecendo se a proposta terá futuro, igualmente as minhas felicitações e que o seu exemplo crie raízes e seguidores.

Wednesday, April 18, 2007

MASSAGENS

Perde-se no tempo a origem da massagem. Acreditamos que desde sempre, existiu quem massaja-se e quem fosse massajado.
É algo que está presente nas nossas vidas, no nosso dia a dia e que de uma forma geral, todos nós apreciamos.
Sejam desportistas ou casais de namorados, sejam velhos, novos ou mesmo bebés, todos apreciam uma boa massagem.
A massagem pode ser relaxante, minorando ou mesmo fazendo desaparecer a tensão acumulada após um dia de trabalho, ou antes de uma competição onde “os nervos”, estejam “à flor da pele”.
A massagem pode ser igualmente revigorante e tonificante, estimulando músculos e tendões, preparando o “corpo” para o esforço.
Estes dois tipos de massagem (relaxante e revigorante) podem ser administrados por um massagista ou fazendo uma auto-massagem. Quando estamos com uma dor de cabeça, e com os dedos médio e indicador “massajamos” a zona temporal, estamos a auto-massajarmos.
A massagem é a mais pessoal das terapias. Implica uma estreita ligação entre o massagista e o massajado, visto haver um permanente contacto físico entre ambos. Talvez por isso, as massagens são muitas vezes vistas como práticas de índole sexual, onde por vezes o pudor, o desconhecimento e a desconfiança, impedem a boa prática de uma terapia, onde apenas os conhecimentos do massagista, aliado a “umas boas mãos” (saber de experiências feito), contam. A massagem, aplica óleos, gorduras e produtos sabonáceos, não recorrendo (na maioria dos casos) a fármacos. Contam mais vezes as “boas mãos”, do que quaisquer bálsamos ou pomadas anti-inflamatórias.
Será talvez esta uma das razões pela qual, já os chineses (cerca de 3000 AC) e os egípcios a praticavam.
Igualmente, os filósofos e os médicos gregos, já prescreviam esta terapêutica aos seus pacientes.

Objectivos da massagem

Na massagem, um dos objectivos é o revigorar ou relaxar, não só o corpo como também a mente.
A massagem revigorante, promove a renovação celular e ajuda a eliminar toxinas. Por sua vez, a massagem relaxante visa “amolecer” os músculos e articulações tensas, dando ao massajado uma completa sensação de bem-estar.
O nosso organismo, possui terminações nervosas ao longo de todo o corpo. Estas são estimuladas/relaxadas com a massagem. A massagem colabora também no aumento da circulação sanguínea, dando á pele, elasticidade e rigidez, retardando assim o aparecimento de rugas.
Nos músculos, com a massagem os nutrientes fundamentais ao sangue, circulam com eficácia melhorada. As luxações, entorses e cãibras, têm uma recuperação mais célere, se houver o recurso às técnicas de massagem.
No que concerne ao desporto, a massagem deve ser revigorante, antes da competição, treino ou exercício e relaxante após este, “acalmando” os músculos doridos.
Como é sabido da física, o calor dilata os corpos. A massagem, pelas suas características de fricção e ao “obrigar” o movimento de articulações e músculos, dilata os vasos sanguíneos. Assim o fluxo sanguíneo é aumentado, fazendo com que a circulação aumente o fluxo de linfa e de oxigénio, reduzindo assim o risco de infecções e de doenças.
A própria digestão é beneficiada. São melhorados os processos de assimilação e de eliminação, minorando problemas com a obstipação e flatulência. Uma massagem regular, é potenciadora de um melhorar da regulação digestiva.

Sunday, April 15, 2007

A MINHA HOMENAGEM 6



CATARINA REGALO


Nome Completo: Catarina Ferreira Regalo

Data de Nascimento: (desconhecida)

Clube Actual: Clube de Futebol “Os Repesenses”, Escola Futebol Clube (Molelinhos) e Selecção Distrital da Associação de Futebol de Viseu

Colectividades onde colaboramos: Clube de Futebol “Os Repesenses” e Selecção Distrital de Viseu




"Começa onde puderes, com o que puderes. Começa onde estás, mas começa. Nunca esperes uma situação perfeita para começar." (Ernst Schumacher)

A frase Ernst Schumacher que abre este breve texto de homenagem à Catarina Regalo é no fundo a história da sua ainda curta mas profícua carreira desportiva. Começou por orientar um pequeno grupo de meninas, nos jogos desportivos da cidade de Viseu. Quando nos primeiros dias de 2003, a Associação de Futebol de Viseu, resolveu criar a sua 1ª Selecção Distrital de sub-17 de Futebol Feminino, logo a Catarina foi chamada a colaborar. Dessa selecção de doze pioneiras que recordo com tanta saudade, quatro (Ângela, Chica, Cristiana e Neide), foram chamadas aos trabalhos da Selecção Nacional. Dessas quatro duas abandonaram momentaneamente o futebol devido aos estudos e as outras duas (Neide e Chica) continuam a dar seguimento ao excelente trabalho iniciado (e continuado) pela Catarina.
De forte personalidade, sempre se mostrou uma incondicional defensora das e dos atletas e interessada em evoluir nos seus conhecimentos técnico-tácticos na área do treino de futebol. Assim, foi com naturalidade que aceitou o meu convite (com o apoio da direcção, obviamente), para colaborar com uma dupla técnica (Nuno Santos e Prof. Luís Pereira) na orientação da equipa de juvenis do Clube de Futebol “Os Repesenses”. Inicialmente observando e aprendendo e pouco tempo depois incentivada pela referida equipa técnica, sendo mais interventiva e participante. Quando no final da época esta equipa se tornou campeã distrital, só com uma derrota no último jogo (onde já eram virtualmente campeões), a Catarina Regalo foi tratada como uma campeã de igual modo a todos os outros. Respeitada e acarinhada por todos os atletas, técnicos e dirigentes, criou laços profundos no clube que a levaram a outros voos, como o de integrar os quadros técnicos do clube. No ano passado, tive como pai, a honra de ver a Catarina a treinar uma equipa de Escolas, onde o meu filho era um dos atletas. No final da época, conseguiu conciliar aquilo que é mais difícil ao juntar a formação dos atletas enquanto desportistas e homens a um inegável espírito competitivo que levou a equipa dos Escolas do C.F.”Os Repesenses” a ser campeão ao fim de 15 jogos e 15 vitórias, facto segundo creio único no distrito de Viseu.
Este ano é treinadora do Escola Futebol Clube de Molelinhos, clube com o qual também já colaborei (ai que saudades), onde dirige um naipe de excelentes atletas já chamadas à Selecção Nacional como sejam: Ângela, Neide, Chica, Catarina Bernardes, Noémia, Ucha, Tânia Almeida e uma outra cujo nome não me ocorre.
A equipa do Escola por si (e por Quinjó) orientada, “arrisca-se” a obter o 3º lugar no campeonato Nacional da 1ª Divisão, certamente a melhor classificação de sempre de uma equipa do distrito de Viseu em Futebol.
E finalmente também uma verdade terá de ser dita. Quem gosta de futebol e de desporto, sabe o quão agradável é ver gente que alia a capacidade natural para orientar uma equipa de futebol a uma inegável beleza. Concordam comigo? OU NÃO?

Friday, April 13, 2007

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL



“(…)Discutem e agitam e como gritam mas lá têm a razão(…)” trecho da letra “A Razão” de Carlos Paião

Nos últimos tempos o futebol deixou de ser um desporto das massas (humanas), para ser cada vez mais um desporto de massas (financeiras). Tenho saudades de ver o velhinho Estádio da Luz com assistências superiores a 100.000 espectadores.
Há quem aponte o elevado preço dos bilhetes como a principal causa pelo afastamento do público. Penso que é um dos factores mas, na minha opinião, não a mais importante. A falta de condições de segurança para o público (nomeadamente o mais jovem) e o choradilho de obscenidades, levam a que muitos homens responsáveis não convidem as esposas ou namoradas e os filhos para assistirem a jogos ao vivo.
Há uns anos, um septuagenário confidenciou-me a vergonha que sentiu quando o neto lhe perguntou se podia chamar filho da p… ao árbitro.
Existem similitudes entre o típico espectador de futebol e o típico automobilista português. Calmo e sereno enquanto cidadão comum, em casa e no emprego mas bruto, agressivo e violento quando ao volante do carro ou nas bancadas do estádio.
Sem dúvida que este tipo de indivíduos deverá e terá de ser banido quer das estradas quer dos recintos desportivos.
Uma das principais características destes “heróis” é a sua cobardia. Só agem quando em maioria, não escolhendo as suas vítimas. São autênticos touros raivosos “marrando” contra tudo o que é vermelho (leia-se tudo que não seja da sua equipa), quer sejam adversários, árbitros ou mesmo as forças policiais.
Eu próprio já provei o sabor amargo da agressão, curiosamente segundos após ter socorrido o guardião local. Foi simultaneamente caricato e doloroso.
Nas camadas jovens, os principais instigadores da violência, são os dirigentes e os progenitores (recuso-me a usar nestes casos a palavra educadores). Ainda há dias aquando da disputa dos 5º e 6º lugares do campeonato distrital de Escolas (Juniores E), ouvi um dirigente a dizer a um seu atleta para dar uma “cabeçada” a um adversário. Felizmente um competentíssimo e atento árbitro colocou-o no seu devido lugar.
No entanto, a mais infeliz das histórias que conheço e detém o 1º lugar no ranking da estupidez contra jovens, foi o que se passou há uns anos quando um infantil (com 12 anos) foi ameaçado de morte pelo treinador adversário. Palavras para quê? É um artista português.

Wednesday, April 11, 2007

Parabéns Mateus



Mateus Ramires Costa, nascido a 12/04/1986, no Brasil.

O Mateus é certamente um dos melhores jogadores de futsal a jogar em Portugal, estou em crer que num futuro muito breve o veremos a jogar ao mais alto nível quer pela sua inegável qualidade futsalista, quer pelas suas caracteristicas enquanto homem: Digno, honesto, amigo e trabalhador.

Um abraço bom amigo.

Tuesday, April 10, 2007

ENTORSES TIBIO-TÁRSICOS






Uma das lesões mais frequentes nos atletas, nomeadamente nos futebolistas, é o entorse tíbio-társico (vulgarmente apelidado de entorse do tornozelo). Este dá-se quando a articulação em causa é levada a movimentos extremos de supinação (entorse por inversão – pé virado para “dentro”), sem dúvida a situação mais vulgar ou, de pronação (entorse por eversão – pé virado para “fora”), o menos vulgar dos entorses tíbio-társicos.
Desengane-se quem pensar que só os jogadores de futebol estão sujeitos a este tipo de lesões. Uma vulgar pessoa ao descer um degrau das escadas ou, ao pisar uma simples pedra, pode contrair esta lesão. É certo que os desportistas, principalmente todos aqueles que fazem uso dos membros inferiores para a prática do desporto, estão mais propensos ao aparecimento destas lesões.
Nestes casos a prevenção é fundamental pois, como diz o nosso povo: “Mais vale prevenir do que remediar”.
Ligar os pés, demora menos do que cinco minutos e um entorse de Grau I, exige um tempo de paragem de onze dias. Sei que na maioria dos casos de entorses de Grau I, o tempo de paragem é inferior a estes onze dias. Eu próprio (e não sou mais do que ninguém, nem herói sendo até limitado na área da saúde onde todos os dias aprendo), já tive atletas que saíram lesionados no jogo de domingo com um entorse tíbio-társico de Grau I e jogaram no domingo seguinte. Mas, reconheço, jogaram limitados.

Entorses quanto ao grau

GRAU I – Distensão do ligamento sem roturas microscópicas, mínimo inchaço ou sensibilidade, perda funcional mínima, sem instabilidade mecânica da articulação;
GRAU II – Rotura microscópica parcial do ligamento com dor, inchaço e sensibilidade moderados nas estruturas envolvidas. Pouca perda do movimento articular e instabilidade leve ou moderada;
GRAU III – Rotura completa do ligamento com inchaço pronunciado, hemorragia e sensibilidade. Perda de funções e grave instabilidade articular. Impotência funcional. Dificuldade até para suportar o peso do próprio corpo.

Nos casos mais graves o entorse pode provocar um arrancamento ósseo. O único caso que presenciei até hoje foi no meu próprio caso. Em 1995, numa “peladinha” de futebol de salão (futsal) com uns amigos, pisei inadvertidamente a bola e logo senti um “estalo”. É de salientar que naquele momento usava caneleiras com protecção da articulação tíbio-társica, meias de enchimento, meias normais (vulgo meiões) e ambos os pés ligados. Nada resultou. Provavelmente limitou a gravidade de uma lesão já de si grave. Provavelmente, devido ao meu passado enquanto desportista, tinha (e ainda tenho) uma massa muscular bem desenvolvida e tendões (ligamentos) resistentes. Assim, como devido ao mecanismo da lesão, como não foi “possível” rasgar nenhum tendão, houve um arrancamento ósseo. Um médico, com quem falei na altura, deu-me uma curiosa imagem de uma fita-cola colada a uma parede (assim são os nossos tendões unindo os músculos aos ossos). Quando a fita é puxada, das três uma: Ou fica demasiadamente esticada, perdendo a sua elasticidade (distensão/estiramento), ou rasga (rotura) ou ainda arranca a tinta ou estuque da parede (arrancamento ósseo).

Tratamento

Uma das formas mais comuns de tratamento dos entorses tíbio-társicos menos graves é seguindo a sigla RICE (arroz em inglês)
Repouso
Ice (gelo)
Compressão
Elevação
O gelo é fundamental nas primeiras 72 horas. Este tem características analgésicas ou anti-álgicas (diminuição da dor), anti-hemorragicas (diminuição dos derrames) e anti-hematomas (reduzindo os hematomas)

Como fazer a aplicação do gelo?

Durante anos, sempre ouvi dizer que deveríamos colocar uma toalha grossa e dobrada sobre a região lesionada e por cima desta, um saco com gelo. Diziam ainda que em caso algum deveríamos fazer a aplicação directa do gelo devido ao perigo das queimaduras térmicas.
A aplicação tópica de sprays à base de cloreto de etilo, de arnica ou outros apenas dão uma analgesia parcial e temporária, nada resolvendo, dando muitas vezes origem a queimaduras de 2º grau quando usados indevidamente. Hoje existem sacos com gel de silicone, excelentes para a aplicação de frio.
Quanto à questão da aplicação de gelo directo, há que desmistificar o mito. Sou de opinião que o gelo se pode (e deve) ser aplicado directamente sobre a lesão, desde que sobre a forma de massagem, sempre no sentido da circulação de retorno (por exº do tornozelo para a coxa), devendo haver o cuidado para sistematicamente pesquisar a temperatura exterior da pele para evitar qualquer queimadura. Um simples cubo de gelo aplicado desta forma é bem mais eficaz do que um saco cheio de gelo.

Prevenção

Um correcto aquecimento (incluindo os alongamentos) é fundamental para a prevenção de entorses. Outros dos meios mais eficazes é aquilo que vulgarmente chamamos de “ligar os pés”.
Sei que a maioria dos atletas é averso a ligar os pés, dizendo que as ligaduras são incomodativas e que lhes restringe os movimentos. Por vezes, mesmo aqueles que ligam os pés fazem-no de forma errada. Os pés devem ser ligados com uma ligadura elástica (e não uma vulgar ligadura de pano ou de “cambric”), de forma a contrariar o sentido “normal” dos entorses mais vulgares (entorse por inversão). Assim, deve o pé ao ser ligado ser “puxado” para cima e “para fora”. Embora sejam muito mais práticos, os pés elásticos não produzem o mesmo efeito, excepção feita ao pés elásticos com tira preventiva de lesões.
Hoje no mercado já existe disponível um tipo de “calcanheira” com saco de gel que permite a um atleta lesionado com um entorse de Grau I, continuar a sua actividade física, fazendo simultaneamente aplicação de frio na articulação. Existe ainda uma panóplia de produtos com funções preventivas e curativas desconhecidos de grande parte dos agentes desportivos.

Sunday, April 08, 2007

A MINHA HOMENAGEM - 5



Nome (in)Completo: Graça Lopes
Data de Nascimento: (desconhecida)
Clube Actual: Clube de Futebol “Os Repesenses”
Colectividades onde colaboramos: Clube de Futebol “Os Repesenses”







D. G R A Ç A L O P E S

«O escopro de milhões de anos arrancou-te à pedra bruta,
modelou-te em pormenor.
O sangue de milhões de homens, em ti, a ferver, se escuta.
A harmonia dos teus gestos foi revolta, treva e luta.
O perfume do teu corpo foi temperado em suor»
António Gedeão

Falar e homenagear neste humilde espaço a Srª D. Graça Lopes é, dar a voz a centenas de atletas que com ela privaram e simultaneamente homenagear todas as mulheres que de forma abnegada se dedicam de corpo e alma ao desporto, na sua vertente de dirigismo.
Quem passou e colaborou (ou colabora) na última década com o C.F.”Os Repesenses”, não pode esquecer a figura impar que é a D. Graça. Creio (se a memória não me trair) que só lhe falta ser treinadora de uma equipa. Nos jovens nota-se um carinho imenso por esta Senhora, carinho esse que lhes é retribuído. Conhece todos os actuais e antigos atletas pelo nome. É a primeira a incentivá-los e é também a primeira a repreendê-los por atitudes menos dignas. Num mundo tradicionalmente machista, é ela a figura materna fazendo com que (pelo menos em Repeses) os atletas pratiquem o futebol, evitando quando ela está presente (e são mais as vezes em que está presente do que aquelas em que está ausente), o aumentar do léxico ordinário e obsceno que infelizmente graça pelos campos de futebol do nosso País. Os pais dos jovens ficam profundamente descansados pois sabem que além da educação desportiva que lhes é transmitida pelos técnicos e dirigentes têm, o complemento da sua educação cívica na D. Graça Lopes. Eu, como pai de um dos muitos atletas que defendem as cores do C.F. “Os Repesenses” ficou orgulhoso e tranquilo com a sua presença.
O meu (nosso) muito obrigado D. Graça Lopes.

Friday, April 06, 2007

QUEM CORRE POR GOSTO É... ATLETA










(…) O Rui Cordeiro (jogador da Selecção Nacional de Rugby) que é veterinário em Trás-os-Montes, não dorme uma vez por semana, ou dorme numa bomba de gasolina, para no dia seguinte ao treino ir trabalhar às 5h30m(…). Vasco Uva – Capitão de Equipa da Selecção Nacional de Rugby in Record Dez de 31/03/07.

Sempre ouvi dizer que quem corre por gosto, não cansa. Ou, como diria um amigo meu, quem corre por gosto, é… atleta.
A principal característica que distingue o atleta amador do profissional é o seu amor ao desporto. Mesmo aqueles amadores que recebem ajudas para suprir as despesas extras com a actividade desportiva o que os faz correr é sem dúvida o seu amor ao desporto. Faço uma ressalva para definir o que entendo por atleta amador. No meu conceito atleta amador não é aquele que é inscrito como amador nem, aquele que pratica o desporto sem receber qualquer verba. Para mim é todo aquele que pratica o desporto, sem fazer dele um modo de vida e uma vantajosa opção financeira. Não concebo o uso da palavra amador em atletas que recebem mensalmente mais do que mil euros e ainda têm direito a cama e mesa.
Outra das características que distingue os verdadeiros atletas amadores é o seu espírito de sacrifício. Mesmo não sendo um atleta de eleição, darei o meu caso como exemplo. Pratiquei desporto durante vários anos, abandonando, ainda muito novo aos vinte e cinco anos. Durante 13 anos (12 aos 25), fui atleta federado de Rugby, tendo jogado contra as melhores equipas e os melhores jogadores nacionais. Ganhei e perdi muitos jogos. Os nosso treinos - já agregados a uma colectividade como o Clube Desportivo de Tondela (o maior clube do concelho de Tondela e um dos maiores do distrito de Viseu) – começavam após o términus dos treinos dos seniores de Futebol (cerca das 21h30m). Eu, que vivia numa aldeia a cerca de 5 Km de Tondela, deslocava-me a pé para os treinos. Após o treino (23h00m – 23h30m), cansado e de mochila às costas, voltava igualmente a pé, para casa de meus pais. Durante algum tempo, tive a companhia de outro jogador morador na mesma aldeia. Porém na maior parte das vezes, tive de fazer o percurso sozinho, no meio de pinhais, debaixo de chuva, vento, trovoada e com a mochila carregada de roupa molhada. Que me lembre, a não ser por doença, jamais faltei a um treino.
Outro dos casos que me recordo, e já o contei neste espaço é o de uma atleta que se deslocava de Nespereira de Cinfães para Molelinhos (Tondela) só para treinar e jogar, sobrecarregando financeira e fisicamente os seus pais. Exemplos como este podem-se encontrar facilmente noutras atletas do meu querido Escola Futebol Clube (Molelinhos) que se privam da sua vida particular para poder comparecer aos treinos e aos jogos, nada recebendo e ainda tendo de pagar o material de treino (roupa e calçado).
No entanto, é com desilusão que vejo o apoio quer das entidades oficiais, quer de alguns patrocinadores, que financiam com maior facilidade os clube que possuem “amadores” que recebem uma gratificação mensal de mais de mil euros, do que as “profissionais” do Escola Futebol Clube de Molelinhos e as camadas jovens da maioria dos clube que apenas têm direito a um sumo e uma sandes no final do jogo. Estes “profissionais” têm aquilo a que um meu amigo treinador chamou de “contratos de broa e chouriço”. Já é tempo de dar valor a quem faz as coisas por amor.